*14.06 Dom Conversas pós-projecção

1. Ciao
Preso a uma perda irreparável, vive dia após dia e leva consigo a forma como ela via o mundo. Acompanha os amigos em torno dele na derradeira viagem da vida, mas nunca consegue fugir ao instante suspenso no tempo. Quando a vida entra no crepúsculo, algures entre o sonho e a vigília, volta a encontrar-se com ela. Desta vez, caminham lado a lado em direcção ao desconhecido.
Realizadora · Anna IEONG
Actriz e criadora com raízes em Macau, Hong Kong e Canadá, de espírito irreverente e sempre disposta a ultrapassar os limites da zona de conforto. Actualmente, frequenta o mestrado em Artes Performativas na Universidade Shih Hsin. Foi distinguida com o Prémio de Melhor Actriz Principal (Tragédia / Drama) na 23.ᵃ edição dos Prémios de Cinema de Hong Kong. Protagonizou a longa-metragem macaense QUERO SER UMA CADEIRA DE PLÁSTICO, seleccionada para estreia mundial no Festival de Cinema Golden Horse 2023.

2. Avó Pirata 3: Outro Tufão
Um novo tufão aproxima-se — como irá a Avó Pirata enfrentá‑lo desta vez? E que presente surpresa trouxe o neto, capaz de lhe proporcionar uma “experiência inédita”?
Realizadora · Vitty HO
Vitty, natural de Macau, recebeu apoio do Instituto Cultural de Macau para concluir a licenciatura em Rádio e Televisão na Universidade Nacional de Chengchi de Taiwan; mais tarde, concluiu o mestrado no Instituto de Pós-Graduação em Vídeo Criativo e Indústria dos Media Digitais da Universidade Nacional das Artes de Taipé. Trabalha, actualmente, como cineasta independente e designer visual em teatro, e leccionou teatro e produção de vídeo em várias escolas secundárias de Macau. Desde que fundou a POV Production (grafia da entidade), em 2021, tem trabalhado de forma intensa no cruzamento entre artes visuais e performance ao vivo. Em 2025, foi admitida na Academia de Cinema Golden Horse.
LAM Teng Teng Teresa
portuguese translation

3. Feriado De Tufão
Com o Sinal de Tufão n.º 3 içado e as escolas encerradas, uma irmã mais velha e o irmão mais novo ficam sozinhos em casa. O rapaz insiste em sair para ir ao McDonald’s e a irmã, a contragosto, aceita levá-lo. No entanto, há outra razão por trás desta pressa em sair de casa...
Realizadora · Kitty WU
Kitty é licenciada em Media Criativos no Departamento de Comunicação da Universidade de Macau. FERIADO DE TUFÃO é a sua primeira curta-metragem, tanto na qualidade de realizadora como de argumentista. O filme foi selecionado para o programa “O Poder da Imagem” organizado pelo Instituto Cultural.

4. Distância
Ah Chi tem autismo e adora contar paragens de autocarro na estação. Numa noite, sai sem avisar. O irmão mais velho, Ah Ming, preocupa-se, mas acaba por o encontrar. Depois de uma noite longa, entre discussão e escuta, Ah Ming aprende, por fim, a compreender e a aceitar as diferenças do irmão.
Realizadora · Jose NG
José nasceu em Macau e viveu no Canadá durante mais de vinte anos. Antes de se dedicar à produção cinematográfica, trabalhou nos sectores da educação, do design gráfico e do jornalismo. A obra apresentada corresponde à segunda curta metragem do realizador.

5. Sem Palavras
O filme decorre no centro histórico de Macau. Conta a história do lojista de uma loja de segunda mão chamada “Speechless Old Stuff”: um homem idoso, que vive sozinho e não sabe como comunicar com os outros. Um dia, conhece uma menina que não pára de chorar, porque o pai deitou fora a boneca de trapos de que tanto gostava. O velho leva a boneca para a loja e repara-a com cuidado, na esperança de a devolver à dona. A narrativa acompanha o quotidiano do lojista e das pessoas do bairro antigo, ao longo do processo de reparar e devolver a boneca, e reflecte, ao mesmo tempo, sobre comunicação e ligação entre o velho e o novo.
Realizadora · CHOI Tak Meng
Jovem produtor de cinema de Macau, com trabalho contínuo na produção de cinema e televisão no território, procura que os projectos estabeleçam uma relação mais directa com a sociedade e com as relações humanas.

6. Despedida De Julieta
O filme DESPEDIDA DE JULIETA, regista a demolição do primeiro conjunto habitacional público moderno de Macau, o Edifício Julieta Nobre de Carvalho. Entrelaça memórias populares do bairro, através de poemas construídos a partir de diálogos de crianças, e explora as extensões entre pessoas e espaço. Os corredores abertos criavam laços afectivos entre os moradores mais velhos.
Mesmo depois da mudança, regressavam todos os dias para se encontrarem. A partir daí, vi com mais clareza uma necessidade profunda entre os idosos: as casas modernas melhoram as condições materiais, mas, muitas vezes, deixam de lado necessidades emocionais. Adaptar-se a novos ambientes e reconstruir laços comunitários não é simples nem fácil. Depois da demolição do edifício, as memórias da comunidade também mudam ou desaparecem?
Realizadora · LEI Cheok-Mei
LEI é cineasta e licenciada pela Universidade Nacional das Artes de Taipé (especialização em Cinematografia), com experiência em direcção artística. Desde 2017, recebeu, quatro anos consecutivos, o fundo documental “Programa Local de Olhar Documental de Macau”, período durante o qual desenvolveu a série íntima “Família Original”. Entre os trabalhos premiados, contam-se duas nomeações para os Prémios Golden Harvest de Taiwan e uma sessão individual no Projecto Documental de Taoyuan 2024. Entre 2021 e 2022, arrecadou o Grande Prémio do Júri, a Escolha do Público e o Prémio do Júri Jovem no Panorama de Filmes e Vídeos de Macau, entre outras distinções. Desenvolve, neste momento, a primeira longa-metragem documental, VIDA FORA DE SI, seleccionada para o Pitching ACFM de Busan e para o Fundo da Indústria do DMZ Docs, entre outros. Explora, de forma consistente, como estruturas sociais e ambientes afectam, de maneira profunda, a saúde mental e os sentimentos individuais. Lei destaca-se ao combinar imagens reais com linguagem abstracta, por via de métodos não-ficcionais, improvisados e interactivos, com a consequente reconfiguração de camadas de “memória” e “emoção” para ampliar a complexidade das relações humanas. Recentemente, ao ouvir interpretações locais, reexamina o diálogo e as contradições entre memória comunitária, cultura colonial e formação de identidade, algo que transforma o cinema num espaço partilhado e reparador.