Saigão, 1951. Mui, uma rapariga camponesa de 12 anos, é contratada como criada numa casa de uma família vietnamita abastada. Observa em silêncio tudo o que a rodeia. À medida que cresce, a família entra em dificuldades financeiras e envia-a para trabalhar junto de um pianista noivo. Mui descobre então o amor pela primeira vez.
A primeira longa-metragem de Tran Anh Hung tem como protagonista Tran Nu Yen Khe, sua esposa. A obra recebeu a Caméra d’Or em Cannes e obteve uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, distinção inédita para o cinema vietnamita. Com diálogo mínimo e um registo marcadamente realista, o filme reflecte sobre um mundo desaparecido, reconstruindo as memórias de infância do realizador através de uma forte dimensão sensorial.
![]() | Tran Anh Hung Realizador, argumentista e produtor cinematográfico. Nascido em 1962, no Vietname, Tran Anh Hung mudou-se para França durante a infância, após a Guerra do Vietname. Estudou inicialmente filosofia, mas, após descobrir Um Condenado à Morte Escapou, de Robert Bresson, optou pelo cinema. Ganhou projecção internacional com a primeira longa-metragem, O Cheiro do Papaia Verde (1993), distinguida com uma nomeação para os Óscares e com dois prémios em Cannes. A obra seguinte, Cyclo (1995), venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Filmes posteriores como O Raio Verde do Sol (2000), Norwegian Wood – Os Amantes (2010) e Eternidade (2016) consolidaram-no como um dos principais autores do cinema contemporâneo. Reconhecido por um estilo visual sensorial e poético, Tran rejeita estruturas narrativas convencionais e privilegia um cinema enraizado na fisicalidade e na emoção, capaz de ultrapassar barreiras de língua, cultura e tempo. De regresso à produção francesa, realizou O Sabor da Vida (2023), protagonizado por Juliette Binoche, filme que lhe valeu o Prémio de Melhor Realização em Cannes. | |
