Orked tem dez anos. Mukhsin tem doze. Conhecem-se durante umas férias escolares e tornam-se rapidamente os melhores amigos. O que acontece quando o teu melhor amigo – com quem tens aprendido a fazer coisas giras como trepar árvores, empinar papagaios e andar de bicicleta – começa a ter ideias românticas sobre ti?
A última obra da trilogia de Orked, de Yasmin Ahmad, inspirada nas próprias experiências pessoais, ganhou dois prémios no Festival de Cinema de Berlim. Com sensibilidade característica, Ahmad transforma o que parece ser uma simples história de amadurecimento numa exploração das tensões subjacentes moldadas por contextos multiculturais, valores familiares e divisões de classe.
![]() | Yasmin Ahmad Nascida em 1958, na Malásia, Yasmin Ahmad é amplamente reconhecida como a “madrinha” do movimento do Novo Cinema Malaio. Foi criada numa família com forte ligação à música e ao teatro. Antes de entrar no cinema, exerceu funções de directora criativa executiva na publicidade, experiência que marcou de forma decisiva um estilo visual próprio. Ahmad iniciou a carreira cinematográfica aos 45 anos, com a estreia na longa-metragem Rabun (2003). A partir de vivências pessoais, a aclamada Trilogia de Orked — Sepet (2004), Gubra (2006) e Mukhsin (2006) — explora tensões e preconceitos associados a diferenças raciais, religiosas e culturais. A trilogia aborda temas como romance interracial e transição para a idade adulta, assuntos considerados sensíveis no contexto sociocultural da época. As obras posteriores, Muallaf (2008) e o último filme, Talentime (2009), receberam amplo reconhecimento em festivais internacionais de cinema. Ahmad é conhecida pela representação sensível das relações humanas, bem como pelo uso de planos longos e de narração em voz-off, que constroem uma perspectiva cinematográfica contida e propõem uma alternativa às convenções do cinema dominante. Manifestou também forte compromisso com questões ligadas a comunidades minoritárias e colocou a defesa dos direitos dessas comunidades no centro da prática criativa. Em 2009, Ahmad morreu com 51 anos. | |
